Sesc Pompeia: rio, fogueira e biblioteca

“Ninguém transformou nada. Encontramos uma fábrica com a estrutura belíssima, arquitetonicamente importante, original, ninguém mexeu… O desenho de arquitetura do Centro de Lazer Sesc Fábrica da Pompeia partiu do desejo de construir uma outra realidade”. (Lina Bo)

"Rio São Francisco"

Espelho d’água em primeiro plano e a fogueira, em segundo plano.
Foto: Daniel Carcavalli, 2017

Aparência nobre, mas com espírito humilde e artesanal, com materiais nacionais, do povo, justamente encontrados nas mais diversas casas do país, árido, se não fosse pelo espelho d’água, carinhosamente apelidado por Lina Bo de Rio São Francisco (prova da esperança de um povo que vive sob a seca), a água surge para congregar, mesmo que em brincadeiras das crianças, que sem medo de se molhar, passam a ser personagens daquele espaço lúdico, sensual, sem concessão a nenhum tipo de status, pleno.

“sob os antigos telhados de três galpões unidos serpenteia um riacho recortado do piso de pedra, referência ao principal rio do Nordeste, o São Francisco” (Lina Bo)

SESC Pompeia

Lareira.
Foto: Edite Galote Carranza

O fogo, despojado, causa uma sensação de aconchego, naturalmente primitivo, um gesto bonito de reunião para conversas, mais uma vez o rústico e o sofisticado se unem em harmonia fazendo surgir uma composição experimental em que o usuário pode se deliciar e ali, sutilmente comunga do espaço arquitetural. A luz, graciosamente inunda o espaço por meio de telhas de vidro, molda as sombras geradas pelas estruturas do mezanino da biblioteca em concreto aparente, dramatizando ainda mais o galpão, mas ainda sim, revela e não mostra a obra como um todo. É minha biblioteca preferida, está onde nunca se imaginaria colocar uma biblioteca, imagine só, naquele burburinho de brincadeiras e conversas existe também a contemplação da leitura, que lugar! O passeio é deliciosamente marcado por esses 3 grandes espaços dentro do espaço. O rio, a fogueira e a biblioteca.

Estrutura em concreto aparente, mezanino da biblioteca, vigas guarda-corpo com cerca de 4cm de espessura. Foto: Daniel Carcavalli, 2017

Estrutura em concreto aparente, mezanino da biblioteca, vigas guarda-corpo com cerca de 4cm de espessura.
Foto: Daniel Carcavalli, 2017

SESC Pompeia

Telhado de armação de madeira e telhas de vidro.
Foto: Edite Galote Carranza

Sesc Pompeia Foto: Edite Galote Carranza

Sesc Pompeia
Foto: Edite Galote Carranza

Autor: Daniel Carcavalli é estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Judas Tadeu, membro do Grupo de Pesquisa CNPQ “Arquitetura: abordagens alternativas e transdisciplinares” e editor broto-arquiteto da Revista 5% arquitetura + arte.

REFERÊNCIAS
BARDI, Lina Bo. Lina Bo Bardi. Revista AU- Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n.11, abril-maio, p.25-27, 1987.
CIDADELA DA LIBERDADE. Lina Bo Bardi e o SESC Pompeia. Marcelo Ferraz org. São Paulo: Edições Sesc, 2013.
SANTOS, Cecília Rodrigues. Sesc Fábrica Pompéia. Lisboa: Editoral Balu, 1996.
REVISTA AU. Lina Bo Bardi. São Paulo: Editora PINI, n. 40, fev. mar. 1992.
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Casa Valéria Cirell: uma obra alternativa

Casa Valéria Cirell, Lina Bo

Detalhe do alpendre.
A cobertura de sapé foi substituída por telhas de barro.
Foto: Márcio Reis

Decorridos mais de vinte anos da morte da arquiteta italiana, naturalizada brasileira, Achillina di Enrico Bo Bardi (Lina Bo), seu trabalho continua presente e despertando interesse de artistas, arquitetos e pesquisadores, nacionais e internacionais. As recentes exposições, “O interior está no exterior”, na Casa de Vidro, de curadoria do suíço Hans Ulrich Obrist; e a “Sesc Pompéia: 30 anos”, com a reedição de “Cidadela da Liberdade: Lina Bo Bardi e o Sesc Pompeia”; os livros “Sutis substâncias da Arquitetura”, de O.Oliveira, decorrente de pesquisa de doutorado sobre a obra da arquiteta e “Lina por escrito – Textos escolhidos de Lina Bo Bardi”, organizado por S.Rubino e M.Grinover; ou ainda, o nome da arquiteta citado sete vezes no prefácio de J.M.Montaner ao livro “Brasil: arquiteturas após 1950”, confirmam o interesse e sinalizam que ainda há muito a ser investigado em seu trabalho de crítica, design, cenografia e arquitetura, repleto de subjetividade artística, ideais e filosofia de fundo.

Entre suas obras arquitetônicas, a Casa Valeria Cirell, 1958, em São Paulo, merece atenção especial, embora seja menos lembrada que o MASP ou SESC Pompeia, dois exemplos de sucesso com público e crítica. Este artigo tem como objetivo analisar a casa e sua estreita relação com o conceito de nacional-popular, a fim de iluminar o entendimento da obra, a qual é um exemplar de sua arquitetura alternativa ao status quo, bem como outras atividades da arquiteta, por estarem intimamente relacionadas às transformações sócioculturais brasileiras e a “filosofia da práxis” de Antonio Gramsci.

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Roteiro para uma casa simples: Casa José Anthero Guedes

Joaquim Guedes 1

Desenho técnico: Cortes e planta originais, 1955.
Fonte: Facebook Joaquim Guedes

 Joaquim Guedes, um dos grandes nomes da arquitetura paulista e um dos principais representantes da “Escola Brutalista Paulista”, projetou esta casa para seu pai poucos anos depois de se formar. Segundo Mônica Junqueira de Camargo, Guedes “ainda estava preso ao conhecimento acadêmico e tentava colocar ou negar o discurso em prática, adaptando-o às condições topográficas do terreno e ao programa” [...] de fato, o primeiro enfrentamento entre teoria e método aprendidos na faculdade e a realidade.” O projeto é um exemplar que expressa o conceito “Nacional-popular”, presente em diversas manifestações culturais nos anos 1960.

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A casa da floresta

  … o homem é à medida que habita. Heidegger

Nesta vista vê-se a face inferior da cobertura de fibra vegetal, com perfis tubulares da trama de arcos e terças horizontais e os contraventamentos de cabos de aço em X, o volume elevado da casa com vedações de vidro, vigamento da grelha de piso e avanços das placas de vidro temperado transparentes da laje grelha de cobertura, e no topo veem-se os tirantes e contraventamento dos pilares centrais. Foto: Gal Oppido

Nesta vista vê-se a face inferior da cobertura de fibra vegetal, com perfis tubulares da trama de arcos e terças horizontais e os contraventamentos de cabos de aço em X, o volume elevado da casa com vedações de vidro, vigamento da grelha de piso e avanços das placas de vidro temperado transparentes da laje grelha de cobertura, e no topo veem-se os tirantes e contraventamento dos pilares centrais.
Foto: Gal Oppido

Para o projeto da residência em Pouso Alto os arquitetos Newton Massafumi e Tânia Regina Parma do escritório Gesto Arquitetura adotaram como conceito que “as casas devem ser como pássaros pousados na Mata Atlântica”. Entretanto o pássaro em questão é especial por ser antes uma coisa capaz de transformar um recanto da floresta em lugar na medida em que o torna habitável através de um limite. A postura dos arquitetos, que se insere em um contexto mais amplo de sustentabilidade, constrói o lugar fazendo uso de tecnologia de pré-fabricação e técnicas artesanais.

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A CASA ARQUÉTIPO DA UNICAMP

Sobrado, vista da fachada projetada para implantação sem recuos laterais, fundação tipo radier, painéis e nervuras aparentes, balanço do dormitório e laje de cobertura.  Foto: Nelson Kon

Sobrado, vista da fachada projetada para implantação sem recuos laterais, fundação tipo radier, painéis e nervuras aparentes, balanço do dormitório e laje de cobertura.
Foto: Nelson Kon

“Em relação ao desenho, buscou-se partir de uma imagem quase arquetípica da ideia de “casa”: uma porta, uma janela, um telhado (…) que pudessem ser complementados por uma árvore, uma cerca…”(JOAN VILLÀ)

Para a materialização do conceito em epígrafe, Joan Villá, arquiteto adepto da autenticidade em arquitetura, adotou o princípio da técnica construtiva e uma forma coerentes com o sistema de produção serial. O desafio era obter a máxima economia de meios com o máximo de expressão. O resultado ainda é exceção no panorama da arquitetura brasileira, mesmo decorridos trinta anos da experiência na Unicamp.

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Teatro Oficina: ruína e transformação

 

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A bigorna de Vulcano: símbolo do Teatro Oficina

Edite Galote Carranza

Ricardo Carranza

Pensar no Teatro Oficina é confrontar-se com seu duplo significado histórico de permanência e transformação. Em O mal estar na civilização, Freud nos fala da dificuldade de representarmos visualmente o mundo da psique. Então adota como exemplo a evolução da Roma antiga, relembrando as sucessivas implantações, desde a Roma quadrata ao muro de Aureliano. Com isso pretende demonstrar algo aparentemente óbvio, ou seja, nas suas palavras – que um mesmo espaço não admite ser preenchido duas vezes; e que na psique, ao contrário, o primitivo e sua transformação convivem simultaneamente. É um ensinamento da história que o passado avança no tempo na forma de ruínas e vestígios. Roma é um exemplo universal da teoria. E o que vale para a Cidade Eterna, enquanto macro escala, vale para o Teatro Oficina, enquanto micro escala. Das sucessivas construções, demolições e incêndio, as paredes-limite de tijolos de barro à vista, da década de 1920, lastreadas de arcos romanos, se constituem na permanência sobre a qual se apoia o projeto democraticamente conduzido por Lina Bo Bardi e Edson Elito, com reuniões à Rua Jaceguay e Casa de Vidro.

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A Caixa de Livros

Vista Sul onde se vê o volume recuado do térreo, vigas de aço no eixo transversal e esquadrias de alumínio tipo máximo-ar com vidro liso transparente, vedações laterais revestidas de granilha dourada, pilares-mesa de concreto armado aparente que recebem as cargas da estrutura metálica, rampa de acesso da esplanada do campus.

Vista Sul onde se vê o volume recuado do térreo, vigas de aço no eixo transversal e esquadrias de alumínio tipo máximo-ar com vidro liso transparente, vedações laterais revestidas de granilha dourada, pilares-mesa de concreto armado aparente que recebem as cargas da estrutura metálica, rampa de acesso da esplanada do campus.

Edite Galote Carranza e Ricardo Carranza

A rigorosa racionalidade, deduzida de exigências objetivas de contrato quanto à exiguidade de prazos e custos, ordena o processo de projeto da biblioteca PUC de Campinas.

A solução plástica, fundada na forma pura, pode ser decantada em um volume tripartido: dois paralelepípedos cerrados, que abrigam o espaço do acervo, rasgados pela transparência do volume central que concentra acessos, serviços, circulações verticais, iluminação e ventilação naturais. Do ponto de vista da percepção dos espaços internos, entretanto, há total integração devido à transparência dos elementos estruturais, vazios centrais e ausência de vedações.

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O Renascimento da Escola Municipal de Astrofísica

Foto 1- Fachada Leste, vista noturna.  No nível térreo, o salão de exposições, no terraço a cúpula do observatório restaurada e desativada e no primeiro plano os banco com iluminação e ventilação permanentes. Fonte:  Elito Arquitetos Associados Ltda

Foto 1- Fachada Leste, vista noturna.
No nível térreo, o salão de exposições, no terraço a cúpula do observatório restaurada e desativada e no primeiro plano os banco com iluminação e ventilação permanentes.
Fonte: Elito Arquitetos Associados Ltda

Edite Galote Carranza e Ricardo Carranza

O projeto de arquitetura começa por uma pergunta: que partido adotar, isto é, dadas as condicionantes – programa, sítio, recursos, quais seriam as respostas mais adequadas à solução do problema? Na Escola Municipal de Astrofísica, Roberto José Goulart Tibau, arquiteto e professor da FAUUSP, delimitou um território mediante vigas perpendiculares a dois pilares parede associados à uma planta livre com quatro apoios, enfatizando transparência e prolongamento visual determinados tanto pelos vãos estruturais sem laje quanto pela caixilharia das áreas cobertas. Balanços de laje no eixo transversal atenderam ao sombreamento das vedações em vidro. Considerado por Ruth Verde Zein um exemplar da Arquitetura Brutalista Paulista, o projeto foi bem sucedido, em nossa opinião, porque harmoniza a força dos grandes elementos estruturais à leveza que os mesmos delimitam.

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As cúpulas do Planetário

Por Edite Galote Carranza e Ricardo Carranza

Planetário à época da inauguração

Planetário à época da inauguração
Fonte: Arquivo Eduardo Corona

No início da década de 1950, o então governador Lucas Nogueira Garcez priorizou o projeto do Parque do Ibirapuera para que este fosse o marco arquitetônico do IV Centenário da Cidade de São Paulo. Era o momento histórico do Brasil grande e moderno – cuja construção de Brasília seria o ápice, ao qual corresponderia uma arquitetura monumental, embora nem sempre de acordo com as possibilidades técnico-construtivas. Ao Convênio Escolar, corpo de profissionais constituído com o objetivo de suprir a carência de escolas da rede pública municipal, coube a tarefa de projetar um edifício para o estudo da astronomia.

 http://www.arquitetonica.com/revista5/?page_id=1465

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Casa Eduardo Manzano: alternativa à casa popular

Casa Eduardo Manzano, recém concluída. Fonte: Arquivo do arquiteto

Casa Eduardo Manzano, recém concluída.
Fonte: Arquivo do arquiteto

 

Por Edite Galote Carranza e

Ricardo Carraza

 

 

 

O arquiteto Vitor Lotufo, como um mestre das corporações de ofício medievais, elabora o processo construtivo no canteiro orientando a mão de obra com base em desenhos técnicos resumidos, o que não deve ser confundido com o prático que desconhece a teoria. O arquiteto tem longa experiência no ensino de arquitetura, em aulas teóricas, prática em laboratório, e na sistematização das experiências em monografias de cálculo estrutural, por exemplo, para o qual contribui com um método geométrico de dimensionamento das estruturas.

http://www.arquitetonica.com/revista5/?page_id=1414

 

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